Angiografia Diagnóstica

O que é Arteriografia?

Angiografia é o estudo do sistema vascular, arterial (arteriografia), Venoso (flebografia) e Linfático (linfografia), através da utilização de meios de contraste, por meio de punções diretas ou por técnicas de cateterismo.

A primeira angiografia de que se tem relato foi realizada, em 1896, por Haschek e Lindenthal, mediante a injeção de sais de bismuto para evidenciar a circulação de uma mão amputada. Em 1923, Berische e Hirsch realizaram a primeira flebografia com objetivo diagnóstico, em seguida, em 1924, a primeira arteriografia femoral foi realizada por Brooks e coube a Egas Moniz a descrição da técnica de angiografia carotídea e da circulação cerebral. Sven Ivar Seldinger, em 1953, revolucionou a arteriografia através da descrição de uma técnica de punção percutânea de artéria associada a introdução de fio guia metálico para permitir a introdução de cateteres, promovendo, assim, uma seletivação dos territórios a serem estudados. Em 1964, por Charles Dotter e Judkins, foi realizada a primeira intervenção endovascular para tratamento, fazendo a arteriografia ganhar uma nova importância no “rol” de procedimentos minimamente invasivos para promover soluções em saúde (Brito et al 2013).

A arteriografia, foco de nossa análise, dedica-se ao estudo do leito arterial de quaisquer territórios, conforme o interesse diagnóstico e/ou terapêutico. A evolução de técnicas complementares ao diagnóstico tem permitido meios, cada vez mais precisos, de definição de territórios vasculares com boa confiabilidade e mínima agressão ao paciente. Porém, alguns estudos arteriográficos, principalmente no tocante aos territórios periféricos e/ou supra-aórticos, se mantêm como fundamentais, especialmente, por permitirem planejamento terapêutico mais preciso bem como intervenções terapêuticas simultâneas ao diagnóstico.

A arteriografia possui como indicações fundamentais:

  • Estudo da doença vascular obstrutiva e aneurismática
  • Estudo de fistulas arteriovenosas e de malformação vasculares em geral
  • Avaliação de massas tumorais no intuito de definir sua vascularização
  • Estudo da doença cerebral isquêmica e hemorrágica
  • Pesquisa de hemorragia digestiva (padrão ouro), assim como de outras afecções hemorrágicas e isquêmicas do território vascular visceral.

A evolução de materiais de acesso arterial assim com dos tipos e formatos dos cateteres e meios de contraste permitiram um enorme avanço nas técnicas de arteriografia, permitindo excelentes resultados diagnósticos com menores complicações e agressões ao paciente.

A arteriografia consiste de um procedimento diagnóstico realizado em sala de hemodinâmica, ou em bloco cirúrgico onde exista arco com subtração digital e mesa radiotransparente, sob sedação consciente e anestesia local, através da supervisão de um anestesiologista. Após os passos, acima citados, procede-se a o acesso arterial do território de interesse com tipos e formas especiais de cateteres conforme o interesse do estudo. Outro componente fundamental na arteriografia, tanto na qualidade das imagens quanto na diminuição da complicações, trata-se do meio de contraste. Meios de contraste otimizados quanto a osmolaridade e alergenicidade permitem procedimentos cada vez menos dolorosos e com menos complicações, como por exemplo lesão renal induzida pelo contraste. Outro componente fundamental para o êxito do procedimento refere-se ao preparo prévio ao procedimento com estimulação `a hidratação, suspensão de medicações anticoagulantes e nefrotóxicas e utilização de preparo antialérgico em paciente com passado de reações alérgicas e atopia.

Apesar de todo o cuidado encerrado na preparação e na realização do procedimento de arteriografia existe uma percentagem reportada de complicações relacionadas a esse procedimento. Dentre as complicações descritas existem aquelas relacionadas ao sítio de punção como hematoma (de 0 a 0,68%), oclusão (de 0 a 0,76%) e pseudoaneurisma ou fístula arteriovenosa (de 0,04 a 0,2%); bem como existem aquelas associadas ao cateterismo como embolia (de 0 a 0,1%), dissecção subintimal (0,43%), reação ao contraste (de 0 a 3,58%) e nefropatia induzida pelo contraste (de 0,2 a 1,4%)